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Como Criar Personagens Para Jogos de Horror

04/11/2009

Depois da matéria Criação de Personagem do Danilo Lima, eu entro aqui com uma matéria para você criar seus personagens de jogos de horror. “Ora Tio Taliba, mas isso é fácil!” diria o garoto gordinho todo sujo de ketchup.

Será mesmo?

Modéstia a parte, eu já conheci e joguei muitos jogos de horror (mais do que minha sanidade gostaria, na verdade). Já vi personagens memoráveis e erros crassos. Um grande erro que conheci em todas as mesas: não seja exagerado (Regra No 5). Exageros são expressões máximas de sentimentos, e em jogos de horror, isso deve ser guardado pro final, por mais que você queira repetir as cenas sangrentas dos filmes B que andou assistindo no SBT. A cena de completa insanidade deve ser dosada moderadamente, como um vinho fino. “Ora, mas se o personagem não se comporta como um louco, ele não é louco, cara!!” Calma, você está se exaltando. Largue esse machado, caro nanoleitor. Comportar-se feito um completo biruta não quer dizer que é o único comportamento para um louco. Imagine você criar um personagem que age de modo completamente normal, mas com um objetivo em mente? Um objetivo aquele que se os outros personagens escutarem você falando dele, com completa convicção que qualquer meio justificará o fim, eles dirão “Meu… deus… você é… você é completamente louco.” Sempre é uma ótima cena!

Outra coisa interessante à ser compreendida, e essa é pros Mestres, é que a Regra No 1 vale pra narração também. Se você colocar litros e litros de sangue correndo durante seu jogo, perde a graça, a não ser que seja initerruptamente numa cena única, num ambiente fechado, onde o desespero e a ausência de saídas gera ainda mais terror, ao melhor estilo Sexta-Feira 13.O exagero também leva narradores – e muitos diretores de cinema – a criar absurdos como mortos-vivos com caras tão esforçosamente medonhas que chegam a ficar engraçadas (Army of Darkness) ou inovações do clássico tendem a beirar o ridículo, como Brinquedo Assassino e Drácula em Nova York. Veja bem, já é difícil criar um clima de terror numa mesa quando sempre tem aquele cara que fala demais, ou o desconcentrado, ou o que ri demais, então, a última coisa que sua mesa precisa são de palhaços assassinos (e mortos-vivos) alienígenas do espaço (e vampiros).

Outra boa dica é tentar usar um ambiente escuro com um tom de voz pausado e rouco (Regra No 4). Ajuda bastante. Porém, tenha cuidado pra não assustar ninguém da sua casa (“Betinho, você e seus amiguinhoAAAAAAAAAAAAA MEU DEUSSSS!!!! ISSO É SANGUE! ISSO É SANGUE!!! ISSO É… isso é meu molho de morango, Betinho? É melhor que seja sangue!!!“)

Apelo visual é bem interessante num jogo de horror, mas não é tudo (Regra No 3). Grandes escritores de horror como Lovecraft utilizavam do desconhecido como principal fonte de terror. Às vezes só o som de ossos se partindo nas escadarias abaixo, a risada rouca do monstro ao pé do ouvido, a carícia diabólica do desconhecido, o cheiro ferroso do próprio sangue…! Bem, vocês entenderam.

Armas simples (Regra No 2). Pra quê um fuzil, uma espada samurai ou duas pistolas de calibre 50? Use um pé de cabra. Uma faca. Um cutelo. Armas simples são as melhores, mais fáceis de esconder e dão ótimos resultados se seu jogo for de Mundo de Ficção 1, onde uma bela facada pode matar. 😉

Por fim, a regra do silêncio (Regra No 1). De longe a regra mais importante de todas. Qualquer mesa de horror, para ter sucesso, deve ser levada em completa concentração. Absoluto silêncio, onde se ouça apenas a voz do narrador. Nada de conversas paralelas, risadinhas ou conversar sobre a nova edição do NanoRPG 2th plus sua versão de Fantasia Medieval completamente remasterizada repleta de efeitos de poder mágicos clássicos e novos. Quanto maior o silêncio, maior a concentração, melhor a interpretação, maior o sucesso da sua aventura.

Tendo isso em mente, crie excelentes vilões, ótimos personagens (perturbados ou não!) e faça muitas cenas com cri-cri-cri como fundo musical! Até a próxima, nanoleitores!!!

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  1. 04/11/2009 04:31

    Olá. Eu sou Cochise César e já tentei fazer isso uma vez e não deu certo, mas pode ser que agora dê.

    Quero convidar você a contribuir com um portal colaborativo de RPG. Um lugar onde apareçam só os posts mais importantes, independentemente de quem seja o autor ou em que site ele esteja.

    Uma forma de tornar mais visível o conteúdo importante.

    Para isso é preciso apenas que quando escrever um post importante faça um resumo dele e submeta para nós em http rpgbrasil. co. nr/

    Se quiser apoiar o projeto pode também adiconar nosso banner ao seu site http i33. tinypic.com/2uh20pw. jpg

    Abaixo segue um “release” do RPG Brasil.

    O RPG Brasil é um agregador colaborativo.
    Isso quer dizer que ele é um site “grande”, mas que vive de doações de conteúdo da comunidade. A idéia é que qualquer um possa “doar matérias”, inclusive eu.

    Todos os blogs tem posts relevantes e não relevantes. Agregadores tratam todos da mesma maneira. Colocal todos eles listados lado a lado. Separar os artigos que realmente valem a pena ser lidos dos que não valem é uma tarefa difícil.
    Mas há mais blogs do que se pode acompanhar, (aproximadamente 150) portanto seria necessário uma grande equipe para fazer uma seleção doque realmente importa.
    Agregadores colaborativos partem do princípio da autocensura para resolver esse problema.
    O autor sabe que os comentários que fez sobre as férias não são relevantes para pessoas que não sejam seus amigos. E ele sabe que o review de um jogo ou o novo NPC que criou é.
    A ideia é que ele divulgue seus posts relevantes para a comunidade através desse site. Assim, o melhor conteúdo da blogosfera é indexado aqui.
    Não publicamos aqui matérias completas, apenas chamadas, então o leitor interessado tem que ir ao blog de origem da matéria para lê-la por inteiro.
    Nesse negócio ganha o leitor ganha por ter acesso a um conteúdo filtrado e o autor ganha por aumentar suas visitas e visibilidade

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